Biotecnologia – Portugal

Micróbio resistente a radiações e desidratação identificado por cientistas de Coimbra 27/10/2009

Filed under: Biotecnologia,Notícias — Hugo Azevedo @ 15:51
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rubrobacter_image[1]Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e do Instituto Pasteur (Miroslav Radman) está a estudar a substância responsável pela máxima protecção contra a desidratação e radiações (ultravioleta e gama) apresentada pelo micróbio Rubrobacter radiotolerans – RSPS4.

 

Descoberto, por cientistas de Coimbra, na zona termal de São Pedro do Sul, distrito de Viseu, este micróbio capaz de resistir aos mais elevados níveis de radiação e desidratação prolongada, teve o seu genoma sequenciado no BIOCANT, em 2007.

 

Os estudos que conduziram à descoberta desta bactéria, começaram em 1996, quando um cientista inglês solicitou ao Laboratório de Microbiologia da FCTUC, coordenado pelo Professor Milton Costa, que identificasse um estranho micróbio encontrado num riacho poluído, nas proximidades de uma fábrica de carpetes, em Inglaterra.

 

Surpresos com as invulgares características reveladas, os cientistas portugueses decidiram pesquisar novas bactérias com as mesmas características e, assim, chegaram ao Rubrobacter radiotolerans – RSPS–4, que exposto, de forma continuada, a brutais doses de radiações revelou uma capacidade de resistência.

 

“milhares de vezes superior à de um humano”, afirma o coordenador do estudo, Milton Costa. Para se perceber melhor o nível de resistência desta bactéria, o investigador da FCTUC explica que “ enquanto os humanos expostos a 500 Rads “corpo inteiro” (doses de radiações absorvidas) não sobrevivem, a 80.000 Rads todas as células deste micróbio continuam vivas”.

 

Os investigadores Milton Costa e Nuno Empadinhas revelam que “se o estudo confirmar que os sistemas antioxidantes e anti-radiações encontrados neste micróbio são os responsáveis pela protecção das proteínas e ADN da bactéria, poderemos pensar no desenvolvimento de novas moléculas para serem co-administradas no tratamento de diversas doenças, nomeadamente do foro oncológico”. Ao nível do envelhecimento, será possível “desenvolver novas fórmulas antioxidantes para protecção contra a acção nefasta dos radicais livres”. Foi, de resto, o elevado potencial para a Biomedicina que levou o Instituto Pasteur a associar-se à investigação.

 

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