Biotecnologia – Portugal

Laboratório médico descartável 20/11/2009

Filed under: Biotecnologia,Notícias — Hugo Azevedo @ 19:53

O estudo de complexos processos celulares e diagnóstico médico associados a tecnologias não é novidade, mas a concentração de várias análises de doenças baseada num chip de silício descartável é um projecto pioneiro que dá mais um avanço na Biotecnologia – da autoria de Luc Gervais e Emmanuel Delamarche, cientistas dos laboratórios da IBM Zurique (Suíça).

 

Esta unidade de transmissão de informação recentemente desenvolvida “funciona de forma autónoma e não necessita de nenhuma componente eléctrica; é rápida, precisa, portátil e a técnica de diagnóstico requer uma quantidade microscópica de amostra”, asseverou Luc Gervais ao «Ciência Hoje» («CH»).

Quando desenharam a patente – baseada em quase três anos de pesquisa e desenvolvimento –, os investigadores tiveram em conta não só a flexibilidade quanto à forma, mas também quanto ao uso. O chip é tão pequeno que “pode ser incorporado, dependendo da aplicação, num cartão de crédito, numa caneta ou em algo semelhante a um teste de gravidez”, continuou.

Chip pode ser integrado em cartão de crédito ou caneta (ilustração de Luc Gervais)

Estes cientistas suíços, com formação multidisciplinar – em Química, Física e Bioengenharia – consideram que este “é o sonho de diagnóstico”: a microestrutura é descartável e evitam-se assim “erros de análise e possíveis contaminações”, acrescentou Delamarche. E pode ser utilizada “em qualquer lugar”: junto do utente, em ambulâncias, na floresta ou acampamentos, etc. e chegar-se a um resultado com alguma rapidez. “O teste é tão simples que poderia ser utilizado pelo próprio paciente”, disse ainda o co-autor ao «CH».

A tecnologia foi desenvolvida em colaboração com o Hospital Universitário de Basel, na Suíça e a ideia surgiu em conversa com um especialista em doenças cardíacas daquela instituição, após um seminário que decorreu nas instalações da IBM sobre «Microscopia e Análises através de Sistemas», em 2004.

Segundo Delamarche, o médico referiu que “após um ataque cardíaco é difícil prever se o paciente vai sofrer um acidente vascular cerebral ou não e por isso, existia a necessidade de se criar um sistema de análise mais rápido e prático”.

A ideia de laboratório foi testada com parceiros da área da saúde, mas igualmente com académicos e beneficiaram do apoio de uma organização que promove a inovação na Suíça – um dos investigadores, em fase de conclusão de tese de doutoramento, obteve a ajuda para o desenvolvimento de tecnologias de ponta.  

Chip microfluído

A leitura é feita num microscópio ou leitor fluorescente, comummente encontrado nos hospitais (do tamanho de um telefone). O chip de silício é microfluído, ou seja, funciona como uma “bomba capilar” – utiliza a força capilar (semelhante à absorção de uma toalha quando mergulhada na água) para analisar pequenas amostras de soro ou sangue para detectar a presença de marcadores de doença, normalmente proteínas e que podem detectar várias doenças: alergias, doenças cardíacas, entre outras.

Chip de silício microfluído (Imagem: cortesia IBM)

O dispositivo (que mede um por cinco centímetros, contém conjuntos de canais com micrometros de largura) poderia testar a amostra imediatamente após um ataque cardíaco, “permitindo ao médico agir rapidamente e prever a taxa de sobrevivência dos pacientes”. O diagnóstico demora apenas um minuto, mas se se tratar de processos mais complexos, a leitura do marcador poderá levar mais tempo.

Os investigadores dos laboratórios da IBM desenvolveram ainda “uma biblioteca de bombas capilares de modo que os testes que necessitam de uma variedade de volumes de amostra ou tempos de teste possam ainda ser feitos sem a necessidade de re-projectar todo o dispositivo”.

Luc Gervais e Emmanuel Delamarche resumem: “A nossa ideia é simples. Queremos implantar vários exemplos de testes num único chip e que facilitar a vida aos médicos, com um objecto descartável que possa ser usado próximo do paciente e que lhes permita obter uma resposta com bastante rapidez”. Além de diagnosticar doenças, a microestrutura também tem flexibilidade para testar agentes perigosos, químicos e biológicos. O estudo será a capa da edição de Dezembro de 2009 da revista «Lab on a Chip».

Biosensor malaio

Já cientistas do Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia, na Singapura, tinham desenvolvido um sistema de análise genético para efeitos de investigação criminal – o “nanogap sensor”.

Esta nanotecnologia também ela ajuda a detectar e diagnosticar doenças como cancro, problemas cardiovasculares e vírus infecciosos, através de um par de eléctrodos de metal de tamanho microscópico separados por um nanogap, do tamanho de um cabelo humano (1/50,000), combinado com provas químicas especiais para capturar pequenos segmentos de DNA.

By: Ciênciahoje

 

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